ENTENDA O CASO.
Elas tiveram que dividir uma cela com outras 60 mulheres até serem liberadas na manhã desta sexta-feira (12). Depois de mais de 12 horas de prisão, Kellen, Diane e outras duas funcionários da loja de departamento foram detidas na noite de quinta-feira, enquanto trabalhavam. Tudo começou enquanto atendiam uma delegada de polícia.
Ela foi até a loja fazer troca de um short que tinha comprado há quase dois meses. Nosso prazo de troca é de 30 dias. Ainda sem etiqueta da peça e nota fiscal, que são as normas. A atendente disse que não poderia trocar. Eu expliquei que não podia. Ela disse que eu estava errada e me deu voz de prisão", contou Kellen Roncetti.
Segundo as vendedoras, foi a própria delegada que levou as atendentes direto para o Presídio de Tucum e as colocou dentro de uma cela superlotada. E ainda estipulou fiança de R$ 5 mil a cada uma delas. Das quatro moças, parentes de uma delas conseguiram juntar dinheiro e pagar a fiança ainda à noite. O pecuarista Martinho Grigio Roncetti também tentou livrar a esposa, mas não conseguiu.
"Por volta das 23h, eu consegui o dinheiro e a delegada falou que só receberia fiança se fosse cheque do Banestes ou dinheiro. Quando cheguei ao DPJ, por volta das 3h, a delegada tinha ido a Tucum. Ela disse que voltaria ao DPJ, mas não voltou", contou.
O gerente da loja foi informado por telefone do que teria ocorrido e acionou o advogado da empresa. O alvará só foi conseguido no início da manhã. "É um caso difícil de entender. Tenho 10 anos de varejo e jamais vi algo parecido. Agora, eu acho que o mais importante é preservar o funcionário. A empresa vai assessorar essas pessoas. Não é fácil passar a noite em um presídio", contou Ricardo Ambrósio.
"A gente foi colocada na cela sem cama, sem roupa de cama, sem um copo para tomar água... As presas não queriam deixar a gente entrar porque estava superlotado. Foi surreal. Eu fui presa porque pedi cinco minutos para ligar para o advogado. Fui indiciada por resistência à prisão e desobediência", conta Diane Ruchdeschel.
O titular do Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha, Mário Brocco, superior imediato da delegada Maria de Fátima Oliveira, afirma que a delegada se sentiu desacatada por uma frase dita por uma das atendentes quando ela precisou de uma caneta para anotar o nome delas para formalizar uma reclamação.
"Ela teria falado: que delegada de araque é essa que não tem caneta? A delegada ficou constrangida, desacatada e falou que entraria em contato com o DPJ para fazer a ocorrência. As funcionárias falaram que teria que trazer várias algemas, porque teria que prender todo mundo. Já para estipular a fiança, a delegada usou como parâmetro o salário que cada uma delas ganha", explicou o delegado.
Quando vi a matéria na televisão lembrei de algo parecido que uma delegada tinha feito com um irmão meu, mais tarde vim a saber que era a mesma e hoje 18/02/2010 ele foi solicitado para declarar novamento o ocorrido com ele.
LEIA A MATERIA
O motorista Sizemar Souza Moraes teria passado seis horas detido em um banco da delegacia de Novo México após discutir com a delegada Maria de Fátima Oliveira. Ele afirma ter prestado queixa do caso na Corregedoria da Polícia Civil. Segundo Sizemar, tudo aconteceu no dia 12 de maio de 2007. "Eu tinha acabado de fazer uma entrega para a empresa e estava passando pela Reta da Penha. Naquele dia estava tendo greve de ônibus e o trânsito estava um caos. De repente uma Kombi, que estava fazendo lotação, parou na minha frente. Para não bater, eu joguei o carro para a esquerda. Foi quando essa delegada apareceu", conta o motorista.
Segundo ele, a manobra brusca não chegou a causar qualquer acidente. Quando o fluxo seguiu e ele voltou a dirigir, percebeu que estava sendo perseguido. "Essa mulher aparecia na janela do carro me mandando parar. Eu não ia parar. Nem sabia quem era ela. Ia parar para qualquer um que me mandasse? Não. Segui até que ela me fechou e já desceu do carro mostrando a carteira e me dando ordem de prisão", afirma.
O motorista conta que foi levado para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Vitória. De lá, foi colocado em uma viatura, conduzida pela própria delegada. No calor forte e apertado dentro do carro, ele teria sido forçado a acompanhar Maria de Fátima enquanto ela resolvia "pendências" pela cidade.
"Ela me mandou calar a boca, não me deixava nem eu explicar que não parei porque não sabia que ela era delegada. Daí ela me levou com ela para resolver uns problemas, ela precisava liberar um carro que tinha saído para a delegacia dela, de Novo México. Quando ela resolveu tudo, me levou para a delegacia", explicou.
Segundo Sizemar, ele só foi libertado seis horas depois de preso, quando os advogados da empresa dele conseguiram o localizar. "É engraçado que eu soube desse caso das meninas presas pela minha irmã. Ela me contou e eu disse: 'pode ver que o nome dessa delegada é Maria de Fátima'. Fomos conferir e não é que era mesmo? Ela se acha super poderosa. Agora eu só espero que seja feita Justiça", pediu.
Sizemar foi indiciado por direção perigosa. Ele afirma que deu queixa na Corregedoria da Polícia Civil e foi chamado para depor duas vezes. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), a queixa de Cizemar não consta entre os três processos respondidos pela delegada na Corregedoria de Polícia. O motorista pretende reapresentar a denúncia.
Caso das vendedoras
Nesta quinta-feira (18), a corregedora de Polícia Neusa Glória Santos abriu procedimento administrativo para iniciar inquérito de investigação sobre o caso das vendedoras que foram levadas presas depois de negarem a troca de um short para a delegada. As prisões levaram ao afastamento preventivo de Maria de Fátima do cargo, por um período de 30 dias, tempo em que a investigação deve ser concluída. Vítimas e acusada devem ser ouvidas até o final da próxima semana.
Meus parabéns ao Secretário de Segurança do ES Rodney Miranda é preciso tomar as devidas medidas mesmo.

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