Mais uma suposta ação de abuso de poder trouxe de volta o nome da delegada Maria de Fátima Oliveira aos noticiários. Depois de levar quatro vendedoras presas porque elas não quiseram trocar um short, as denúncias contra ela se multiplicaram. Desta vez, ela é acusada de expulsar clientes de uma padaria e até fechar as portas do estabelecimento. Tudo isso para verificar uma denúncia. O dono da padaria terminou preso por três dias.
A câmera do circuito interno de televisão do estabelecimento flagrou toda a ação da delegada. O problema começou com um cliente, um senhor que aparece nas imagens de camisa laranja. Ele efetua um pagamento no caixa e volta horas depois, reclamando que uma das notas recebidas por ele no troco, de R$ 10, era falsa.
A atendente do caixa, que tinha assumido o expediente há pouco tempo, não pode resolver o problema. Pouco mais de uma hora depois, o homem volta, na companhia da delegada Maria de Fátima. As imagens são claras e não restam dúvidas sobre a identidade da delegada, de blazer azul. Ela já chega expulsando todos os clientes.
Em seguida, ela ordena que a padaria seja fechada. As imagens mostram o proprietário tentando conversar com a delegada. Mas não teve jeito. O constrangimento daquela tarde de 17 de julho de 2006 terminou na cadeia. Ele ficou preso por três dias.
"Você vê uma pessoa que tem tanto poder, que poderia estar usando esse poder para a lei, usa em beneficio próprio, simplesmente para mostrar que tem poder. Humilhando a gente, que tem família, que trabalha... Fiquei preso três dias em Novo México. Ela fez questão de me levar em flagrante", conta o proprietário do local.
E não foi somente ele que foi preso. A gerente da padaria também foi levada: passou três dias na Penitenciária Feminina de Tucum, em Cariacica. "Eu só chorava, não comia... Eu ficava imaginando o que eu estava fazendo ali... Nunca passei por uma situação dessas. Foi muito difícil para mim", contou.
Quase quatro anos se passaram desde o dia em que a delegada deu voz de prisão para o dono e para a gerente da padaria. O homem que recebeu a nota falsa já até faleceu. Quando o fato ocorreu, as vítimas prestaram queixa na Corregedoria da Polícia Civil, mas até o momento não obtiveram qualquer tipo de resposta.
"Deram poder para alguém que não tem capacidade psicológica para isso. Ela solta é um perigo para a sociedade. Ela é uma ameaça para a sociedade e para os próprios companheiros de profissão dela. Ela vai continuar fazendo isso, fez comigo e vai continuar. É uma doença que ela tem", contou o proprietário.
Licença médica
Nesta quarta-feira (24), a delegada Maria de Fátima tirou licença médica de 30 dias pelo Instituto de Previdência do Estado (IPAJM). Ela passou por uma avaliação psiquiátrica. A delegada já estava afastada do cargo após determinação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), que afirma não saber informar o motivo do afastamento.
Câmera flagra delegada expulsando clientes de padaria antes de levar dono preso. Veja o vídeo.
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