sexta-feira, 16 de abril de 2010

A História Acabou?




Jamais imaginei, apos trinta anos de vida Pública, viver uma situaçãopolítica como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazofinal para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas àseleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meupartido- o Partido Socialista Brasileiro.A se dar crédito às pesquisas eleitorais, eu estaria falando por algo ao redor de 15 milhõesde brasileiros, apesar de não dispor de nenhuma máquina como asportentosas estruturas do governo federal ou do governo de São Paulo oude, notoriamente, não ser o mais querido da nossa grande mídia ou denosso baronato. É muita coisa. É coisa mais que suficiente para irrigarem meu coração um profundo sentimento de gratidão e, mais que isso, umgrave sentido de responsabilidade para com nossa Nação. Modesto, masreal e grave!A se seguir pelo conselho pragmático que avilta a política brasileira, é óbvio que o partido só tem a ganhar apresentandouma candidatura. Os partidos que disputaram, cresceram. Os que nãodisputaram definharam. Merecidamente, diga-se de passagem.A se por um olho minimamente sério sobre a realidade brasileira presente, maisóbvio e moralmente mais importante ainda é a tarefa de apresentar umacandidatura à presidência! É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada, porém mutuamente conveniente,entre o PT e o PSDB. É a imposição ao Brasil ,por um preço cada vez maisimpagável, da briga provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles sãoiguais, especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdadeno Brasil! Esta disputa pelo mero mando propiciado pelo poder, ou, pior, por seu aparelhamento patrimonialista e corrupto só garanteuma coisa: o Brasil não muda na sua essência de mais desigual entretodos os países do mundo organizado! Claro que com Lula a coisa temmelhorado…Com os neoliberais acanhados do PSDB, a coisa vinha piorando… A democracia brasileira, jovem e imperfeita como ainda é, agüenta que, aoinvés de uma ampla opção arbitrada pelo povo, o jogo do poder sejadecidido em gabinetes de Brasília onde a linguagem é um misto depressões e trocas? Lembremo-nos de que, por regra, as burocraciaspartidárias se eternizam, o que quer dizer que basta a ação de pressãoe/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia dúzia de pessoas. Assimmesmo: sobre SEIS pessoas fechadas e isoladas em gabinetes de Brasíliaou de São Paulo pode-se hoje definir as opções TODAS a serem“escolhidas” pelo povo nas eleições. Isto não é, infelizmente umahipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e agora. Omitir-sesobre isto é criminoso!O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do Pais. Uma federação cheia de maravilhosascontradições! Uma realidade de grande fragmentação partidária, parte porseqüelas de uma ordem política viciada, parte, entretanto, porexpressão de muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vidadura de nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundoturno. A quem interessa tirar do povo as opções que no passado recente permitiram a um sindicalista chegar à presidência? A históriaacabou? Não há mais o que criticar ou discutir? Oito de Lula, quatro deDilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro futuro denosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da privataria como dizo Elio Gaspari ? E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhorque nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossosjovens?O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai sedecidir isto agora. Eu cumprirei com disciplina e respeito democrático o que decidir meu Partido. Respeito suas lideranças. Mas,tenham meus companheiros clareza: eu não desisto! Considero meu devercom o Brasil, lutar até o fim. Se for derrotado, respeito. Mas amanhãalgum brasileiro mais atento dirá que alguns não se omitiram quando sequis tirar o povo da jogada.

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