sábado, 4 de setembro de 2010

Imagem é (quase) tudo

Marina conta muito de sua história no semblante magro, com olheiras que a maquiagem não procura esconder – confira galeria de imagens sobre a trajetória de Marina. A acreana bonita, com traços indígenas e negros, aparece nas fotos antigas sempre enfeitada, mas fiel ao estilo nativo: brincos grandes de miçangas, os cabelos longos e escuros sempre presos e, à medida que a militante deu lugar à senadora, continuou com a imagem espartana de quem acredita que o cultivo à aparência também faz parte da ideologia burguesa. Ao longo da vida pública, portanto, poucas concessões aos esteticistas. Com a maturidade, óculos leves dão ar de professora, sábio e tranquilo. As roupas continuaram monacais, e as grossas sobrancelhas só muito recentemente se renderam à modelagem padronizada dos salões de beleza – nada radical mas, como diria minha mãe, levantou o olhar! Marina pode ser mais discreta na adaptação, mas tam bém tem seus consultores de imagem.




Vale ressaltar e  observar os movimentos de Marina Silva que, embora menos mencionada nas pesquisas de intenção de voto, é uma candidata politicamente relevante nesta eleição. Ela pode definir a existência de um segundo turno; pode canalizar uma parcela do eleitorado, embora restrita, que se sente insatisfeita com as candidaturas centrais; e pode contribuir para a agenda temática da eleição, com seu foco no desenvolvimento sustentável. Marina também pode se mostrar como alguém diferente. A insistência em manter-se fiel à sua aparência habitual indica seu investimento em uma imagem de coerência e autenticidade, contribuindo para a tentativa de se apresentar como uma alternativa. Diante do contexto político e do nosso eleitor pragmático, resta ver a penetração deste discurso e desta imagem.


À medida que a eleição deixa de ser assunto apenas para os especialistas e ganha as conversas de rua, os movimentos e estratégias destes personagens se tornam mais dramáticos e evidentes. Os debates e a propaganda eleitoral, amplificados pela imprensa, são o principal cenário desta dança imprevisível, em que cada passo precisa levar em conta a coreografia dos outros e as reações da platéia. Afinal, o sucesso do espetáculo e seu resultado final dependem do voto popular, e este nunca pode ser dado como certo.



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